| Árvores
Basta uma chuva com ventos um pouco mais fortes para expor a fragilidade do sistema elétrico da Cemig. Em período chuvoso, a população tem sofrido com os constantes apagões. Mas segundo o diretor do Sindieletro, Leonardo Timóteo, esse problema tem motivo e a solução já deveria ter vindo há tempos. “O que evita a interrupção é a poda preventiva de árvores, que não foi feita na quantidade necessária nos últimos anos”, afirma.
Agora, a empresa decidiu fazer o chamado “mutirão da poda” na região Metropolitana de Belo Horizonte. Para isso, convocou, de última hora, dezenas de trabalhadores do interior do Estado para realizar o serviço, sem perguntar a cada um deles se poderia se transferir temporariamente para a capital. “Estranhamente, a pressa para a poda preventiva chega em ano eleitoral, depois da empresa não ter feito o serviço em anos anteriores. O trabalhador, mais uma vez, é quem paga o pato”, critica.
São cerca de 30 trabalhadores que vieram de Barbacena, Betim, Divinópolis, Juiz de Fora, Pará de Minas, Ponte Nova e Sete Lagoas. Eles vão ficar duas semanas realizando poda em árvores de Belo Horizonte e Região. E a cada 15 dias virão novas turmas. Na próxima semana devem chegar trabalhadores de Montes Claros e Uberlândia.
Segundo alguns dos trabalhadores deslocados, eles deixaram os serviços em suas cidades para “apagar incêndio na capital”. Os próprios trabalhadores avaliam que a intenção da empresa é eleitoral. “Isso tudo é por causa da política e quando cai a nossa rede lá, a repercussão na mídia não é tão forte como em BH”, criticou um eletricitário.
Para Leonardo Timóteo, esse deslocamento se fez necessário diante do descaso da Cemig com a manutenção das redes e da proximidade com o período chuvoso. “A falta de investimento em pessoal, equipamentos e veículos deixaram a rede um caos”, acrescenta.
Estudos indicam que o custo da manutenção preventiva chega a ser cinco vezes menor que o da manutenção corretiva, mas a Cemig tem ignorado essa informação. Entre 2003 e 2009 a empresa reduziu fortemente os recursos para prevenir problemas na rede. Em 2008, os investimentos disponibilizados para manutenção preventiva foram menos da metade dos gastos de 2003. E nesse mesmo período a Cemig reduziu pela metade o número de trabalhadores na inspeção preventiva.
O coordenador do Sindieletro na Regional Metalúrgica, Jair Gomes Filho, critica que a Cemig não destina os recursos suficientes para poda de árvores. “Infelizmente a sociedade paga pela falta de investimento na distribuição. Qual é o papel da maior empresa pública de Minas Gerais? Será que é beneficiar os acionistas ou atender a população com serviços de qualidade?”, questiona.
publicada em 29.07.2010
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