| Menor taxa
A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) atingiu a menor taxa de desemprego (8,5%) para um mês de junho, desde que começou a ser realizada (em 1996) a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgada nesta quarta-feira (28) pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
Se for levado em conta o percentual de pessoas que estariam na situação de “desemprego aberto”, ou seja, que procuraram emprego nos últimos 30 dias, de 6,9%, pode-se concluir, segundo os realizadores da pesquisa, que a capital mineira está muito perto de atingir o patamar do pleno emprego (quando o desemprego atinge índices entre 3% e 5%).
A PED de junho também destacou que o desemprego em Belo Horizonte é o terceiro menor para toda a série histórica, ficando atrás apenas dos meses de novembro (8,3%) e dezembro (8,4%) de 2008, quando a economia do país atingiu o melhor momento em termos de crescimento econômico e de contratação de mão de obra, pois ainda não havia sido afetada pela crise econômica internacional que teve início em setembro daquele ano. A taxa de desemprego em junho caiu 22,7% em relação ao número apurados no mesmo mês de 2009 (11%). Sobre a taxa de maio (9,6%) de 2010, a queda do desemprego foi de 11,5%.
Quanto à renda do trabalhador, a RMBH registrou em junho o melhor rendimento real médio da série (R$ 1.342) e o segundo maior valor entre as regiões pesquisadas, ficando à frente de São Paulo (R$ 1.320) pelo terceiro mês consecutivo, mas perdendo para o Distrito Federal (R$ 1.912), onde o funcionalismo federal, tradicionalmente, recebe os maiores salários do país.
O bom resultado da pesquisa, de acordo com o economista Mário Rodarte, do Dieese e um dos coordenadores do estudo, deve-se à recuperação econômica pela qual o país passa hoje. Lembrando que o segundo trimestre é sempre melhor que o primeiro, em qualquer ano, e que a tendência é de que o terceiro seja ainda melhor, com estabilização da quantidade de contratações no quarto trimestre do ano.
Em relação ao pleno emprego, hipótese levantada por Mário Rodarte, a RMBH estaria, hoje, absorvendo bem próximo do máximo de mão de obra que poderia empregar. “Estamos no limiar do pleno emprego. Há pesquisadores que entendem que pode-se falar de pleno emprego quando a taxa de desemprego fica entre 3% e 5%, já que o mercado nunca poderá empregar toda a mão de obra disponível de uma só vez”, explica Rodarte.
O economista alerta que o que tem dificultado às empresas encontrar a mão de obra que precisam é a falta de qualificação profissional. O mercado parece ter chegado a um limite nesse sentido. “Nessa fase, a tendência é de as empresas começarem a investir mais em tecnologia para aumentar a produtividade de seus funcionários”, avalia.
Entretanto, para o professor do Departamento de Economia da Puc-Minas, Pedro Paulo Pettersen, não se pode, ainda, dizer que Belo Horizonte vive uma situação de pleno emprego. O professor explica que esse é um termo cunhado por economistas norte-americanos para explicar a situação do emprego nos Estados Unidos. da mesma forma que se denomina desemprego natural aquela faixa da população que fica temporariamente desempregada mas logo retorna ao mercado de trabalho. No Brasil, não temos tempo suficiente de estabilidade econômica para importarmos essa análise. E o perfil dos desempregados no Brasil é diferente”, contrapõe Pettersen.
Também ficou destacado na pesquisa que o aumento da população ocupada se deu, principalmente, entre os trabalhadores com carteira assinada. De acordo com Rodarte, 62,8% dos ocupados na Região Metropolitana de Belo Horizonte têm carteira assinada, maior índice de trabalhadores com emprego formal de toda a série histórica.
Entre os setores que mais criaram empregos em junho está o de serviços, segundo Rodarte, o mais forte na economia mineira para gerar empregos. Dentro dos serviços, destacam-se o setor público, com crescimento de 11,9%, reparação e limpeza (10,5%) e transportes e armazenagem, com alta de 8,7%. “O setor de Serviços, que contratou mais 26 mil trabalhadores em junho, sobre maio, emprega mais da metade da mão de obra na RMBH”, diz Rodarte.
Entre as regiões pesquisadas, a de Belo Horizonte lidera a queda do desemprego, seguida por Porto Alegre (9,5%) e Fortaleza (10,6%). A maior taxa de desemprego foi registrada em Recife (17,6%).
Fonte: Hoje em Dia, publicada em 29.07.2010
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